sexta-feira, 28 de maio de 2010

"Sustentabilidade é um caminho sem volta"

Chad Oppenheim: "Sustentabilidade é um caminho sem volta"
Foto Divulgação



O arquiteto Chad Oppenheim defende a bandeira da sustentabilidade pelo mundo.
Mesmo antes das construções sustentáveis virarem moda no mercado imobiliário, o arquiteto norte-americano Chad Oppenheim já levantava a bandeira da sustentabilidade pelo mundo.
A postura, aliada ao designer urbanístico moderno dos empreendimentos, deu bons resultados.
A empresa de Chad, a Oppenheim Architecture and Design, movimentou em nove anos mais de R$ 86 bilhões e já recebeu 28 prêmios pelos prédios famosos mundo a fora, como o hotel Mandarin Oriental, em Miami, e o The Hard Rock Café, em Las Vegas (EUA). Ele esteve em Vitória para uma conferência sobre "As edificações sustentáveis no meio urbano e as mudanças climáticas".
Em entrevista para o blog Diário de Vitória, ele ressaltou que a sustentabilidade é um caminho sem volta.

Diário de Vitória: O que é uma edificação sustentável?
Chad Oppenheim:
É uma edificação que atende a vários pré-requisitos para a preservação do meio ambiente. Nos Estados Unidos, temos um referencial que define várias categorias de sustentabilidade, nos quesitos energia, água, construção de uma maneira geral, entre outros.

DV: Como foi feita a legislação para construções sustentáveis para os empreendimentos em Miami, nos Estados Unidos?
Chad:
Foi feita com os arquitetos da cidade em parceria com o governo local. O prefeito da cidade estabeleceu algumas exigências a serem implantadas a curto prazo. Aos poucos, vão sendo estabelecendo outras regras. Até que todo o rol de categorias, conhecidas como leeds, sejam cumpridas.

DV: Você pode dar exemplos disso?
Chad:
Sim. Os conceitos envolvem o tratamento de água, usada por exemplo nas torneiras dos prédios, utilização de materiais recicláveis, controle da qualidade do ar do ambiente, uso de madeira ecologicamente correta, tintas sem elementos tóxicos, entre outros.

DV: Isso deixa a contrução mais cara?
Chad:
Estimamos que seja mais caro entre 7 a 10% do valor total da obra. Mas, sinceramente, vale a pena. Conseguimos reduzir energia, água e outras contas do empreendimento. Isso podemos contar. Mas não tem como mensurar o aumento na produtividade de um trabalhador que estará nesse empreendimento. Ou até mesmo a diferença no ecossistema com a economia dos recursos naturais.

DV: Os seus empreendimentos são muito modernos e atendem a todos os itens de sustentabilidade. Como alia o designer com as medidas para preservar o meio ambiente?
Chad:
É um grande desafio. Primeiramente nos inspiramos no passado. Antes de inventarem o ar condicionado, as construções eram feitas de acordo com as características climáticas locais para ser mais fresca. Aliamos a essas soluções simples às novas tecnologias. Por exemplo, é possível captar energia solar para utilizá-la durante a noite em uma máquina para fazer gelo. Durante o dia, ele é derretido e passa a ambientalizar o ar do prédio.

DV: Há incentivos municipais em Miami para que as construções sejam sustentáveis?
Chad:
Há sim nas taxas que os empreendimentos têm que pagar à prefeitura. Além disso, o prédio pode ter outros retornos que compensam os gastos. Um deles produz mais energia que consome. Então, vende a energia à concessionária que repassa a outros consumidores.

DV: Pode citar inovações na promoção da sustentabilidade?
Chad:
Temos várias. Fizemos um hotel em Washington D.C. que tinha vegetação no telhado para absorver água das chuvas. Por um sistema de irrigação, usamos a água nas descargas sanitárias. Fizemos uma área para sair o ar quente do prédio. Envolta dela também tem jardins suspensos. Ao passar de baixo para cima, o ar se resfria. Temos muitos equipamentos eficientes para o uso racional de água nos vasos sanitários, torneiras, entre outros.

DV: Quais os benefícios da preservação do meio ambiente no meio da construção civil?
Chad:
A sustentabilidade é um caminho sem volta. As gerações futuras vão agradecer esse esforço para manter a qualidade de vida de todos. Sem contar que a vida útil de um empreendimento verde será muito maior do que outro.

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